Agora foi, então, a vez do alfaiate Manuel Seco Soares, com 82 anos, o
mais antigo daquela geração que viveu os tempos prósperos da
actividade, nas décadas de 60 e 70, quando chegaram a co-existir, no
Paião, cerca de 33 oficinas de tipo semi-familiar. Hoje restam seis,
todos significativamente mais novos que mestre Manuel Soares. Um
decréscimo na actividade que se deveu ao crescimento da indústria de
pronto-a-vestir e da moda, embora se continue a valorizar o atendimento
personalizado, a superior qualidade e perfeição da confecção por medida.
Excerto da Notícia - 3 de Maio de 2012
Jornal "A Voz da Figueira"
Segunda-feira, 28 de Maio de 2012
Sábado, 19 de Maio de 2012
Sérgio Alfaiate ainda faz fatos como antigamente
Se há profissões em vias de extinção, o alfaiate é uma delas. Mas como para alguns a tradição ainda é o que era, tem de haver também quem satisfaça os pedidos daqueles que procuram fatos feitos à medida e pode encontrá-los no «Sérgio Alfaiate», na Ajuda, em Lisboa.
Há 38 anos que Sérgio Marques e a sua mulher Maria da Conceição vestem os lisboetas mais exigentes que não usam “qualquer trapinho” nem se contentam com os fatos comprados numa loja qualquer e procuram um alfaiate, como já há poucos na capital portuguesa.
De (quase) padre, a alfaiate
Mas se em 1959, com 16 anos, Sérgio Marques chegou de Douro Calvo, em Viseu, para trabalhar para o primeiro patrão na mesma loja de que hoje é dono, foi por pouco que as fitas métricas e as tesouras não lhe passaram ao lado e se tornou padre. Mas Sérgio acabou por se tornar alfaiate, com medo de ser... capado.
«Naquele tempo os missionários iam às escolas nas terras mais pequenas para 'recrutar' miúdos para irem para padres, eu andava na quarta classe quando lá foram e me disseram que eu era um dos que ia ser padre e eu tive vergonha de dizer que não queria», conta Sérgio Marques, confessando o que o fez mudar de ideias:
- Um dia depois das aulas, estava na mercearia a ajudar o meu pai quando uns senhores começaram a gozar comigo a dizer que quem ia para o seminário era capado e eu no dia seguinte perdi logo a vergonha e disse ao missionário que afinal não queria ser padre, mas nem lhe disse porquê.
Não querendo ser padre nem podendo ficar a trabalhar na mercearia, como realmente gostava, porque o pai dizia que não era futuro, acabou por se tornar alfaiate.
«Quando me tiraram da mercearia para ir para a alfaiataria até chorava, porque o que eu gostava era de estar no balcão, mas agora não me via a fazer mais nada senão isto», conta Sérgio, o mais velho de seis filhos.
Casamento sem namoro dura 47 anos...
Em Lisboa desde 1959, onde estudou na Academia de Corte Maguidal e conheceu a mulher, com quem casou sem namorar, Sérgio deixou a Ajuda de 1968 a 1974, altura em que foi fazer fatos por medida para Angola, onde tinha família, e diz nunca ter trabalhado tanto quanto em Luanda. Porém, foi obrigado a voltar devido à situação política. Regressou já com uma filha e abriu a loja onde trabalhou pela primeira vez na capital portuguesa, agora como proprietário.
«Conheci a Maria da Conceição quando íamos buscar fatos ou entregar na alfaiataria, ela era costureira de calças. Passeámos e conversámos muito mas nunca namorámos. Um dia estávamos a passear em Queluz, passámos por uma capela e decidimos entrar para casar. O padre tratou dos papéis e passado um tempo casámos e fizemos uma festa. Quando se gosta não é preciso perder tempo a namorar», diz Sérgio, considerando que talvez seja esse o segredo para um casamento que dura já 47 anos.
Além de dois filhos, Sérgio e Maria partilham a paixão pelas agulhas e máquinas de costura, trabalhando juntos no «Sérgio Alfaiate», onde muitos dos clientes passaram a ser também amigos. Um dos mais antigos é um cliente a quem Sérgio já fazia fatos em Luanda, tendo inclusive ido ao casamento do filho dele e feito fatos para vários dos convidados.
Mas nem todos os clientes são amigos e há mesmo aqueles que são para esquecer, pelas exigências sem sentido ou críticas descabidas de quem não percebe do assunto ou nem sabe bem o que quer. Esse é o segredo do sucesso neste negócio, conseguir agradar e satisfazer 'o mais chato' dos clientes, numa altura em que cada vez menos gente dá ou percebe o valor de um fato feito à medida, sendo também cada vez menos a procurá-los.
«Antigamente se calhar fazia 150 fatos por ano, agora se calhar são preciso três ou quatros anos para fazer o mesmo», lamentou Sérgio, que tão cedo não pensa deixar o giz e espera continuar a trabalhar para os outros durante muitos e bons anos, a fazer fatos como antigamente...
Por Rita Ferro Baptista
Fotos de Álvaro Isidoro/ASF
Jornal "A Bola.pt"
Em Lisboa desde 1959, onde estudou na Academia de Corte Maguidal e conheceu a mulher, com quem casou sem namorar, Sérgio deixou a Ajuda de 1968 a 1974, altura em que foi fazer fatos por medida para Angola, onde tinha família, e diz nunca ter trabalhado tanto quanto em Luanda. Porém, foi obrigado a voltar devido à situação política. Regressou já com uma filha e abriu a loja onde trabalhou pela primeira vez na capital portuguesa, agora como proprietário.
«Conheci a Maria da Conceição quando íamos buscar fatos ou entregar na alfaiataria, ela era costureira de calças. Passeámos e conversámos muito mas nunca namorámos. Um dia estávamos a passear em Queluz, passámos por uma capela e decidimos entrar para casar. O padre tratou dos papéis e passado um tempo casámos e fizemos uma festa. Quando se gosta não é preciso perder tempo a namorar», diz Sérgio, considerando que talvez seja esse o segredo para um casamento que dura já 47 anos.
Além de dois filhos, Sérgio e Maria partilham a paixão pelas agulhas e máquinas de costura, trabalhando juntos no «Sérgio Alfaiate», onde muitos dos clientes passaram a ser também amigos. Um dos mais antigos é um cliente a quem Sérgio já fazia fatos em Luanda, tendo inclusive ido ao casamento do filho dele e feito fatos para vários dos convidados.
Mas nem todos os clientes são amigos e há mesmo aqueles que são para esquecer, pelas exigências sem sentido ou críticas descabidas de quem não percebe do assunto ou nem sabe bem o que quer. Esse é o segredo do sucesso neste negócio, conseguir agradar e satisfazer 'o mais chato' dos clientes, numa altura em que cada vez menos gente dá ou percebe o valor de um fato feito à medida, sendo também cada vez menos a procurá-los.
«Antigamente se calhar fazia 150 fatos por ano, agora se calhar são preciso três ou quatros anos para fazer o mesmo», lamentou Sérgio, que tão cedo não pensa deixar o giz e espera continuar a trabalhar para os outros durante muitos e bons anos, a fazer fatos como antigamente...
Por Rita Ferro Baptista
Jornal "A Bola.pt"
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Terça-feira, 15 de Maio de 2012
Técnica
Alguns processos operatórios de confecção de casaco de homem
(Método alfaiate)
1 - Entretelamento.
Concluídos os alinhavas da cinta para cima, suspende-se a obra com a mão direita. A aba do casaco cairá naturalmente. Pegamos juntamente fazenda e entretela pela bainha e, colocando depois sobre a mesa de trabalho, para alinhavar da cinta para baixo.
2 - A prova.
Ajustar ao corpo, com dois ou três alfinetes e tombar para a direita as bandas e o trespasse, fixando com um alfinete em cima no extremo superior das bandas e com outro alfinete na linha de cinta. Evita-se assim que as pontas das bandas incomodem o cliente, roçando a cara. Notar o perfil de Mestre Guilherme de Almeida na sombra projectada na parede.
3 - Prova do ombro.
Verificar se os golpes de "deslace" do decote e dos ombros estão bem localizados
e se abrem o suficiente.
4 - Acerto da obra.
Antes de se tirarem os alfinetes, dar um traço a giz junto da beira do traseiro, conforme o resultado da prova. Depois são dados dois traços transversais que limitam o "metido".
5 - Alinhavado da gola.
A gola alinhava-se certa, somente na zona da costura do ombro, na curvatura mais acentuada do decote, se deve dar um "leve metido".
6 - Acerto da gola.
A gola acerta-se com a largura adequada e depois de riscada é aparada.
7 - Encapamento da gola.
Depois da gola "orlada" seguem-se as escalas com o cuidado de que a capa de gola não fique com falta de fazenda nas pontas. Finalmente "orlam-se" os extremos.
8 - Alinhavar das mangas.
9 - Treladado da manga.
A fase de "treladado", logo a seguir ao "apontado" é um trabalho que deve ser feito com linha dobrada e que serve para fixar a fazenda, a entretela, a paleta ou ombreira e o forro e vai depois servir de guia para se guarnecerem os forros das mangas.
10 - Passar a ferro.
"Esmagar" bem (vinco da gola) o "quebrado" da gola até quase a meio de cada banda.
Revista Vestir
Civec
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Segunda-feira, 14 de Maio de 2012
Fases de construção de um casaco clássico
No seu trabalho de investigação, " O alfaiate faz fatos e faz corpos", Ana Margarida Magalhães, apresenta 22 fases relativas à confecção de um casaco, designando esse conjunto como «cadeia operatória». Contabiliza, a partir da determinação das mencionadas fases, um total de 60 acções. Abaixo enumeramos as vinte e duas etapas referidas nesse documento:
O corte da fazenda - ou seja o pedaço de tecido necessário para a confecção da peça de vestuário - é enrolado juntamente com um tecido, normalmente pano cru, molhado; permanece assim envolto na humidade do pano, a ressumar, durante um dia.
-Tirar medidas ao cliente
Ao tirar as medidas, o mestre alfaiate faz um reconhecimento do corpo. Em folha própria,
anota as medidas a tomar em consideração e as especificidades do corpo em questão.
- Riscar e cortar o fato
O desenho da peça de vestuário é riscado a giz directamente no tecido, com a ajuda das réguas e esquadros, de acordo com as medidas do corpo; seguindo as indicações de corte, o tecido deve depois ser cortado pelo risco.
- Pôr o casaco em prova
- Primeira prova
Depois de provado o casaco, os alinhavos são desmanchados e riscam-se as correcções no tecido.
- Fazer as entretelas
Cortam-se a entretela, a crina e o pano cru e cosem-se. Os três tecidos já unidos são enchumaçados e passados a ferro.
- Fazer os bolsos
Cortam-se os aviamentos, fazem-se as portinholas e "metem-se" os bolsos.
- Alinhavar as entretelas ao casaco
- Preparar o casaco para a segunda prova.
Alinhavam-se as entretelas aos quartos, enchumaçam-se as bandas e alinhava-se o casaco.
- Segunda prova
- Fazer as bandas
Corta-se a capa das bandas e "encapam-se".
- Forrar o casaco
Cortam-se os forros e aviamentos para os bolsos de dentro. "Metem-se" os bolsos interiores e alinhavam-se os forros à fazenda.- Coser as ilhargas e a bainha do casaco
- Coser as ilhargas e os ombros dos forros
- Fazer a gola
Corta-se, cose-se a costura, enchumaça-se e trabalha-se a gola a ferro.- Pregar a gola no casaco
Alinhava-se a gola ao casaco, acerta-se, corta-se a capa da gola, encapa-se e guarnece-se.
- Fazer as mangas
Cosem-se as costuras do sangrador e do cotovelo e orlam-se as mangas.- Forrar as mangas
Corta-se o forro, cosem-se as folhas dos forros e guarnecem-se.
- Aplicar as mangas ao casaco
- Acabamentos
Guarnece-se o forro. Aplica-se a etiqueta e caseia-se o casaco.
- Passar o casaco a ferro
- Pregar os botões
No casaco de dois botões, o primeiro botão a contar de cima deve ser colocado na linha da
cintura sobre o umbigo.
"A tesoura de Emmanuel Kant"
Diana Regal
Edição: Civec
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Segunda-feira, 7 de Maio de 2012
XXIII Encontro Nacional de Mestres Alfaiates
10hOO
Recepção na Câmara Municipal de Penalva do Castelo
11 h30
Missa solene em honra dos Alfaiates Falecidos
(Igreja da Misericórdia)
13hOO
Visita à "Casa da Ínsua" e Almoço-Convívio no Restaurante do Hotel de Charme;
Actuação da Tuna São Martinho de Pindo;
18hOO
Encerramento e entrega de certificados.
Comissão Dia do alfaiate
António Lopes Pinto962903351 / 924292110 / 232642345
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Domingo, 6 de Maio de 2012
Homenagem ao alfaiate Manuel Soares
Manuel Soares é o último da geração de antigos alfaiates que tanto dignificou a profissão no Paião. Por isso, na sua pessoa, o Rotary estende esta homenagem aos muitos mestres alfaiates já desaparecidos, bem como aos que na actualidade continuam dignamente a exercer este ofício.
Anualmente, o Rotary Clube da Figueira daFoz distingue uma actividade profissional, tendo escolhido este ano o Alfaiate. Na cerimónia, que se realizou num restaurante no Paião, terra do homenageado ou não fosse esta freguesia conhecida como a “Terra dos Alfaiates”, a presidente deste clube de serviço, Rosa Baptista, salientou a importância desta iniciativa que se desenrola desde 1992 e que já permitiu reconhecer o mérito pelos pares e pela comunidade de diversos profissionais desde o comércio livreiro, à pesca, passando pela medicina, arquitectura, advocacia, marnoto, entre outros.
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Quarta-feira, 25 de Abril de 2012
Utensílios do alfaiate
Agulha e Dedal
O
dedal de alfaiate é aberto no topo, e é usado para arrastar a agulha
com a polpa do dedo grande, ao contrário do dedal de bordadeira, que se
usa para empurrar o rabo da agulha com a parte de cima do dedo, como
acontece, por exemplo, no bordar em bastidor. Aos aprendizes de alfaiate
atava-se o dedo grande ao pulso para ganharem o jeito.
Alfineteira
Espécie de pulseira com uma almofada onde se espetam os alfinetes,
Espécie de pulseira com uma almofada onde se espetam os alfinetes,
que se coloca no pulso do alfaiate para fazer a prova.
Cabeço
Pedaço de madeira com o formato de meia circunferência com mais ou menos 40 cm de diâmetro e 7 cm de espessura que serve para abrir a costura da cuada (costura da calça que vai da carcela ao meio de trás, na linha da cintura).
Chapo
Tiras de tecido, dobradas e atadas na ponta de maneira a fazer uma pega,
que se embebem em água para humedecer a zona onde se vai dar a ferro.
pois é indispensável na
confecção de uma peça de vestuário.
É usado, com a ajuda do cabeço e da
mona, para dar forma ao tecido,
que deve estar humedecido. Os alfaiates
de hoje em dia continuam
a preferir o antigo ferro eléctrico, por ser
mais pesado
do que o actual ferro a vapor. Na primeira metade do séc. XX
usava-se o ferro a carvão.
Fita métrica
Instrumento de medição de material flexível que normalmente se apresenta de um lado em centímetros e do outro em polegadas (medida inglesa).Giz
O giz de alfaiate serve para riscar a peça no tecido com as indicações de corte e fazer as correcções nas provas. Para afiar o giz há um utensílio próprio designado por afiador de giz, uma caixa de madeira com lâminas.
Linha de alinhavar
A linha de alinhavar é usada no ponto de alinhavar ou ponto adiante, para pôr em prova a obra, porque parte mais facilmente do que o fio de seda e é mais visível no tecido. Podem ser reutilizadas.
Medidor de gancho
Objecto usado pelos alfaiates para tirar a medida do gancho ao chão, ou medida de entre pernas, das
senhoras.
Monas ou Chongas e Cavalete ou Régua Inglesa
Auxiliam a passar a ferro partes específicas das peças de vestuário. A
mona ou chonga é uma almofada cheia de tecido ou serrim, rígida, com o
tamanho de um dorso, que se coloca por baixo das frentes do casaco para
se passar a ferro, ou almofada de mão a que se pode também chamar luva,
que se usa para dar o jeito à gola e aos ombros do casaco. O cavalete também designado por régua inglesa,
utiliza-se para passar a ferro as mangas do casaco e tem uma base em
madeira acolchoada e revestida a tecido.
Régua de escalas e Esquadro
Instrumentos de medição, tradicionalmente em madeira, utilizados em conjunto para tirar paralelas. As réguas apresentam as medições e as respectivas escalas em centímetros.
Secador
Espécie de palmatória em madeira que se utiliza para bater a parte da peça de vestuário que foi humedecidae dada a ferro, mas que ainda se encontra molhada.
Tesoura de corte
Tesoura de grande porte utilizada somente para cortar a peça de tecido.
A tesoura de Emmanuel Kant
O ofício de alfaiate em Portugal no séc. XX
Diana Regal
Edição: Civec
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