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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Casa de Repouso dos Alfaiates



Junto à Igreja da Tabaqueira
Está uma casa hospitaleira
Dedicada às pessoas idosas;
Nesta nobre Instituição
Há carinho e proteção
E empregadas atenciosas.


71 anos de existência
Dando apoio e assistência
Às pessoas da terceira idade;
Passados setenta e um anos
Estes corações humanos
Agradecem a vossa amizade.


Como a vida é uma passagem
Durante a nossa viagem
Pedimos a Deus proteção;
Esta gente mais idosa
É honesta e generosa
Com um nobre coração.


Alfaiates e costureiras
Usam nas suas carteiras
O seu cartão profissional;
Mas além das confecções
Receberam outras profissões
Da Segurança Nacional.

Os profissionais da costura
Recordam com amor e ternura
A sua nobre profissão;
Nesta modesta mensagem
Presto a minha homenagem
Aos Alfaiates da Nação.


Em Maio mês de Maria
Festeja-se com alegria
Este dia abençoado;
Parabens aos Fundadores
Empregadas e Diretores
Para todos muito obrigado.
           Manuel Costa
                      Alfaiate 

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Baile dos Alfaiates

As festas do Corpo de Deus da cidade e concelho de Penafiel, são conhecidas pelos seus contornos únicos no País!!!
Um desses exemplos são os Baile dos oficios, onde as profissões desfilam e encantam as multidões com os seus Bailes. Desde o baile dos Ferreiros, Pedreiros, Regateiras, Alfaiates, Sapateiros, Pauzinhos, Turcos, entre outros.
Actualmente recuperei o baile dos Pauzinhos.
Mas até há bem pouco tempo realizava-se o Baile dos Alfaiates, que se espera que nos próximos 2 anos, no máximo, volte as ruas, pois a Câmara está a recuperar todos os bailes.
Fotos deste baile não existem  mas tenho a encenação do baile:

"Marchava o Baile, formado por duas alas, que fechava com os seguintes figurantes: mestre, contra-mestre, dois rapazes, uma mulher puxando uma mesa redonda para talhar e outra com flores para distribuir aos vereadores, aquando do desfile da Cavalhada, na véspera do Dia do Corpo de Deus.
Os alfaiates vestiam apuradinhos, chapéu de palha na cabeça, fato preto e colete branco, ao pescoço uma meada de algodão de alinhavar e na lapela uma flor. Na mão direita uma tesoura, a mão esquerda segurava uma pequena cadeira do ofício.
Os dois rapazes de fechar ala, vestiam calças, blusa e cobriam a cabeça com um boné. No fim seguia um homem segurando grande ramo de laranjeira cheio de dourados pomos. A folhagem do ramo  encobria um grande aranhão que descia pela vara quando o homem disparava um dispositivo próprio do baile, era chamada no baile de bicha aranha. o Mestre vestia de chapéu alto, casaca, colete branco, calça prreta bem vincada, empunhando grande tesoura, apoiada no ombro como uma espada, e que servia para talhar a obra. O contra-mestre apresentava-se de chapéu de côco, fraque, colete branco, calça bm vincada, ao pescoço uma fita de medida.
Junto do Baile marcha a música, por contrabaixo, cornetim, trompa, trombone e barítono.
Chegados às ruas da cidade onde actuam, começa o baile com os alfaiates a cantar com grandes gestos:

"Ilustres Vereadores:
D`alfaiates o bailado
Vos trazemos aqui hoje;
recebei-o com agrado.

É popular esta festa;
e recorda antigas eras;
que ela muito agrade ao povo
nós desejamos deveras.

Mestre:
oficiais meus briosos,
assentar-vos já podeis!
vou cortar-vos muita obra;
é útil que trabalheis!

Alfaiates: (refrão do baile)
Vamos a isto rapazes!
do trabalho deu a hora;
toca a sentar que o mestre
assim nos manda agora.

Se alguém for até Lisboa
e a Santarém chegar!
Que fuja que a feia bicha
anda a todos assustar!

Eram quarenta alfaiates,
todos, todos em campanha
com as tesouras em punho
para matar uma aranha!
(fim do refrão)

Mestre:
Rapaz! vai buscar o ferro
ó rapaz anda depressa;
que eu não quero garotices!
trá-lo antes que arrefeça!

Alfaiates para o rapaz:
Faze o que o mestre manda,
sê diligente , procura;
Verás como depois canta
Recebendo a molhadura.

(cantam o refrão de novo)

Mestre para o contra-,mestre:
Senhor contra-mestre vá;
ver o que faz esse mono!
Que esta obra ainda hoje
tem d`ir pra casa do dono.

contramestre responde:
O rapaz é um maroto;
pois só anda no pião!
Precisava que lhe desse
nas orelhas um puxão!

(de novo o refrão....)

Contramestre:
o rapaz aqui trago
por uma orelha filado!
o pião, em vez do ferro,
é que o traz atarefado!

rapaz desculpa-se:
o ferro já estava quente
atirei com ele ao chão
enquanto arrefecia!
pus-me a jogar ao pião!

Contramestre:
o rapaz é um daninho
ele é mesmo um jacaré!
foi Às laranjas do vizinho;
que grande garoto ele é!

Alfaiates:
Senhor mestre, senhor mestre,
perdão ao delinquente;
visto que o rapaz promete
ser agora diligente!

(cantam o refrão)

De repente desce a bicha pela haste da laranjeira!

Mestre aflito:
Meus oficiais às armas!
que a bicha quer`nos saltar!
agulhas, tesouras, tudo
tratemos de a espatifar!

Alfaiates:
Vamos a isto rapazes!
contra aquela bicha feia!
que o rapaz agora viu
em cima da laranjeira!

Mestre ainda:
sei que sois muito valentes
meus oficiais queridos;
na campanha nos mostrastes
uns soldados destemidos!

Alfaiates:
Tivemos enfim a glória!
desta batalha vencer!
sempre fomos corajosos!
valentes até morrer!

Finda assim o baile!!

Tiago Daniel Lopes
tiagodaniel04@hotmail.com

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Ao Arsénio Alfaiate

Com tanto pronto-a-vestir
Há quem teime em resistir
No limiar do milénio
Numa quase extinta arte
O Arsénio Alfaiate
Bem pode chamar-se um génio.

Junto à praça das palmeiras
Homem de finas maneiras
Até botões prega à mão
Calça, colete, casaco
As componentes dum fato
Cuja marca é distinção.

Fita, tesoura, dedal
Linhas, máquinas a pedal
Quanto basta ao artesão
O resto é competência
Dedicação, experiência
E o lema perfeição.

Hoje, fazer fato à mão
É uma rara profissão
Que enobrece quem a tem
Quando acabar este génio
A quem chamamos Arsénio
Não ficará mais ninguém.

Das profissões liberais
É a que respeito mais
Pois requer carinho e arte
Condenada à extinção
Tem no Arsénio um bastião
Um exímio Alfaiate.


António Tavares Chula
www.chuladeagueda.com