Confeccionar roupa requer uma mão especializada e conhecimentos próprios. Para este trabalho existiam no concelho da Guarda alguns alfaiates e costureiras. As fases deste trabalho, iniciavam-se pelo risco do molde da peça a executar no tecido, de seguida, cortavam pelo risco traçado, cosiam as peças, efectuava-se a primeira prova para se fazerem algumas correcções e, depois, era o remate final. Antigamente, os tecidos usados para a confecção das roupas interiores de mulher eram a opalina, linhagem e riscados bonitos. Para as dos homens usavam o riscado de Vizela, popelina, flanela e pano entrançado.
sábado, 29 de setembro de 2007
A Costureira
Confeccionar roupa requer uma mão especializada e conhecimentos próprios. Para este trabalho existiam no concelho da Guarda alguns alfaiates e costureiras. As fases deste trabalho, iniciavam-se pelo risco do molde da peça a executar no tecido, de seguida, cortavam pelo risco traçado, cosiam as peças, efectuava-se a primeira prova para se fazerem algumas correcções e, depois, era o remate final. Antigamente, os tecidos usados para a confecção das roupas interiores de mulher eram a opalina, linhagem e riscados bonitos. Para as dos homens usavam o riscado de Vizela, popelina, flanela e pano entrançado.
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Através dos tempos
Os alfaiates, responsáveis pela confecção da indumentária, eram mestres especializados e tidos em grande consideração. A necessária habilidade exigida a estes oficiais sujeitava-os a um rigoroso exame, sem o qual não lhes seria passada a carteira profissional. Teriam que saber talhar, cortar e executar qualquer peça. Desde talhar veludo cinzelado a duas alturas ao veludo lavrado à navalha, no mais simples dos bordados da espécie. Os cetins constituíam outro dos tecidos com que teriam que saber trabalhar, tal como respeitar as regulamentações em uso para o corte da seda. Saber costurar a consistência dos forros e chumaços, não usar fios de má qualidade, etc. Ainda a estes oficiais era exigido que soubessem as quantidades de pano necessárias a cada peça (1)
Os alfaiates, em geral, executavam pelotes de qualquer feitio, capas de capelo, gibões enchumaçados a dois forros e golpeados, capas e mantos. Para as senhoras, talhavam e cortavam tecidos de qualquer feição. As fraldilhas costuravam-se com vantagem na traseira, os saios e sainhos a dois debruns com mangas e as cotas de forma prática, para andar a cavalo. Aos alfaiates era proibido tingir os tecidos cinzentos ou brancos com tintas azuis e pretas. Não se podiam vender ou voltar a costurar peças de vestuário velho, ou coser, cortar, bordar ou vincar qualquer tecido antes de ser vendido. Qualquer uma destas opções poderia ser sugerida pelo alfaiate, mas a indicação final do cliente solucionava a versão final. Na segunda metade do século XVI, um alfaiate ganhava o salário de vinte e cinco reais por dia, com a obrigação de confeccionar, por exemplo, sete gibões em quatro dias.
Para além dos alfaiates que executavam qualquer peça de vestuário em geral, existiam os oficiais especializados. A designação que os definia ligava-se à indumentária da especialidade. Surgem-nos, assim, os jubeteiros, ligados à confecção de gibões, os calceteiros para a confecção de calças e calções e os sombrereiros ligados ao fabrico de chapéus.
Os jubeteiros talhavam os gibões e costuravam-nos com dois forros enchumaçados podendo usar para o efeito algodão e nunca lã velha. Os gibões não podiam ser vendidos em panos manchados, marcados ou picados.
Os calceteiros deveriam saber cortar qualquer par de calças ou calções com talhe justo. As calças imperiais, confeccionadas com muito pano, deveriam respeitar as limitações do seu uso, sob pena de multa. Para o povo, não podiam executar calças largas ou sequer com forros. As braguilhas das calças e calções eram forradas a algodão ou pano bom, sem ser o da Índia.
Os sombrereiros, responsáveis pelo fabrico de chapéus, faziam um sombreiro de qualquer lã, fino ou grosseiro, preto, cinzento ou branco.
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(1) "Regimento dos Alfaiates, jubeteiros, calceteiros e aljabebes" in Livro dos Regimentos dos oficiais mecânicos da mui nobre e sempre leal cidade de Lisboa (1572), pref. Dr Vergílio Correia, Imprensa da Universidade, Coimbra, 1926, pp.242-245.
In trajes.no.sapo.pt
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Capela dos Alfaiates

São Bom Homem e Nossa Senhora de Agosto foram os padroeiros e protectores da Confraria dos Alfaiates e a imagem da primeira era, no início do século XVI, venerada no primeiro andar de uma casa junto à Sé cujo piso térreo servia de celeiro do Cabido. Em 1554, porém, iniciou-se a construção de uma nova capela frente à fachada principal da Sé, em edifício cedido à Confraria pelo bispo D. Rodrigo Pinheiro. Onze anos depois, em 1565, só às paredes tinham sido levantadas e, com o empenho do prelado, o mestre pedreiro Manuel Luís contratou com a Irmandade a conclusão do templo.
A capela, de planta rectangular, abre para o exterior por um portal ladeado por duas colunas coríntias caneladas asssentes em pedestrais, e rematado por um nicho com decoração flamenga, desenhado por Manuel Luís, em que se abriga uma imagem de barro de Nossa Senhora de Agosto. No interior do templo, iluminado pelo grande janelão rasgado na fachada, a abóbada elevada sobre o espaço quadrado da nave é de cruzaria tardo-gótica, mas mostra já motivos ornamentais maneiristas. Um arco cruzeiro de volta-redonda, assente em pilastras jónicas, separa a nave da capela-mor, e esta é coberta por uma pequena abóbada de canhão, com dois tramos formados por caixotões de granito que arrancam de mísulas clássicas. Este conjunto, projectado e executado por Manuel Luís, é da maior importância na arquitectura do Norte do País, pois marca a transição do tardo-gótico para as novas formulações maneiristas de inspiração flamenga.
O retábulo da capela-mor, também maneirista, divide-se em oito painéis que representam cenas da vida da Virgem e, iconograficamente, respeitam as prescrições do Concílio de Trento divulgadas em Portugal, sobretudo a partir de 1580, através das Constituições Sinodais. As pinturas são atribuídas, entre outros, a Francisco Correia, tendo sido executadas provavelmente entre 1590 e 1600. Ao centro, a bela imagem calcária de Nossa Senhora de Agosto, mais antiga, mostra influências da imaginária norte-europeia. A imagem em madeira de S. Bom Homem (século XVII), padroeiro dos Alfaiates, está colocada à direita do Altar-Mor.
A capela teve, em 1853, obras de beneficiação promovidas pela Associação dos Alfaiates e, em 1935, devido às obras de demolição programadas para a abertura do terreiro da Sé, foi expropriada pela Câmara. Em 1953 foi reedificada na sua actual implantação e pela mesma época foram restaurados os painéis pelo pintor Abel de Moura. É Monumento Nacional desde 1927.
Ângulo das Ruas do Sol e S. Luís
Porto
Câmara Municipal do Porto
Alfaiates resistem à moda do pronto-a-vestir
Quatro a cinco mestres de alfaiataria, dois em actividade regular, tentam resistir, em Viseu, à crise ditada pela moda do pronto-a-vestir. Uma moda que ganhou novo fôlego a partir da década de 70 e que, aos poucos, vai obrigando muitos a fechar as portas por falta de clientela. O encontro de convívio que hoje se realiza na cidade, com a presença de algumas dezenas de profissionais do sector, pretende alertar para a necessidade de incentivar os jovens a abraçarem uma profissão em risco de extinção.
"O Governo tem de aproveitar os artistas ainda no activo para incutir nos jovens o gosto por esta actividade. Uma tarefa que terá de passar pela atribuição de incentivos financeiros que viabilizem a planificação de acções de formação", sugere Avelino Ferreira, um dos alfaiates da cidade, que promete resistir enquanto as forças não o abandonarem.
Natural de Vale de Cambra, no distrito de Aveiro, Avelino Ferreira, 63 anos, passou quase toda a sua vida, entre Portugal e Luanda (Angola), a confeccionar fatos por medida. Alturas houve, em anos recuados, que chegou a produzir dez por mês. "Agora se fizer 20 por ano já é uma boa média", diz com tristeza.
300 euros por fato
Apesar da crise que afecta o sector, Avelino Ferreira consegue ver uma luz ao "fundo do túnel". "Tenho um filho, licenciado em Gestão de Empresas, que decidiu pôr o canudo de lado e abraçar esta belíssima profissão. Está em Londres a fazer formação", partilha com visível orgulho.
A exemplo de outros colegas, Avelino Ferreira acredita que os alfaiates ainda têm futuro. "Os fatos feitos à medida terão sempre mercado", garante o empresário, que elenca três segmentos de clientes fiéis as pessoas que exigem qualidade no talho, na confecção, nos tecidos e acessórios; os que têm dificuldade em encontrar no pronto a vestir fatos que lhes fiquem bem; e os portadores de alguma deficiência.
Um fato feito à medida podia custar, há algumas décadas, 300 escudos. "Hoje aquele dinheiro daria para comprar um botão. Um fato razoável não custa menos de 300 euros. E se o tecido for de muita qualidade pode ir aos mil euros e mais", declara Avelino Ferreira.
Teresa Cardoso