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segunda-feira, 3 de junho de 2019

Certificação de Alfaiates

É Alfaiate mas não tem nenhum certificado que o comprove?
Dirija-se ao Centro Qualifica do CEARTE e certifique a sua experiência profissional através do RVCC de Alfaiate.
Para mais informações contactar através do email  info@cearte.pt  ou tel: 239 49 72 00.”








sábado, 20 de setembro de 2014

Como se Tornar um(a) Alfaiate

O alfaiate é o profissional especializado que exerce o ofício da alfaiataria, uma arte que consiste na criação e reparação de roupas, na forma artesanal e sob medida, ou seja, exclusivamente de acordo com as medidas e preferências de cada pessoa, sem o uso padronizado de numeração preexistente. Outras funções atribuídas ao alfaiate são: a de estilista, ou seja, o feitio de roupas femininas e de talhe masculino (como fantasias, paletós, terninhos, tailleurs, etc.) e a de figurinista, na criação e organização de figurinos. Para se tornar um(a) alfaiate, portanto, você deverá saber como costurar, juntar, reforçar e dar acabamento em suas criações (roupas). Os pré-requisitos para tornar-se um(a) alfaiate não são muito exigentes, muito embora demandem habilidade caso você queira atingir uma carreira de sucesso neste campo. Continue lendo abaixo para obter mais informações.


Método 1 de 3: Aprendizagem Técnica e Criativa



1  Tenha um diploma do ensino médio. Não há requisitos educacionais oficiais/formais para se tornar um(a) alfaiate. Como regra geral, porém, você deve ter pelo menos um diploma de colegial, especialmente se você pretende exercer o ofício em uma grande empresa de moda.
Verifique se seu atual curso de graduação oferece disciplinas que possam revelar-se relevantes para o campo da alfaiataria. No mínimo, você deve tentar fazer um curso de economia doméstica. Algumas escolas podem até ter cursos de costura, e podem lhe ensinar sobre design de moda, costura à mão, e até mesmo costura industrial.
Tome aulas eletivas de arte para ajudá-lo (a) a desenvolver um melhor gosto estético, de modo que você esteja mais preparado(a) para trabalhar com cor, estilo e criatividade.
Certifique-se que as aulas também ajudem a desenvolver habilidades matemáticas básicas para que você não tenha nenhum problema em trabalhar com medições.
Aulas sobre gestão empresarial também podem ajudar se você estiver pensando em se tornar um (a) alfaiate autônomo(a).
Cursos e workshops também podem ser benéficos, uma vez que os instrutores podem se tornar - além de amigos - possíveis contatos no mundo da moda.



2   Faça cursos de nível universitário. Mesmo que você não precise ter um diploma universitário, pode-se tirar proveito de algumas das aulas de moda e design oferecidas na faculdade.
Além de ser benéfico para o seu próprio aperfeiçoamento, ter um curso universitário ou um diploma universitário pode fazer com que seu empregador seja mais propenso a considerar aquela promoção, sabe? Você pode também, caso queira, até mesmo trabalhar em sua carreira para estar a cargo de outros alfaiates, como um supervisor.
Verifique em faculdades comunitárias ou escolas técnicas, a possibilidade de cursar costura, design ou moda. Aulas avulsas em um colégio comunitário ou escola técnica também podem ser mais baratos.
Procure escolas que oferecem uma variedade de cursos (não só para profissionais com experiência) como também voltados para o iniciante e o leigo.
Estude assuntos relacionados à construção de vestuário, padrões geométricos, indústria têxtil, acabamentos e detalhamento.
O ideal é que as disciplinas forneçam informações sobre livros didáticos interessantes e exercícios práticos de costura.

3   Considere tomar aulas gestão empresarial e negócios. Muitos alfaiates acabam por trabalhar por conta própria. Embora não seja estritamente necessário, você pode achar benéfico tomar algumas aulas de gestão empresarial e negócios, bem como cursos de finanças (de nível superior) com o objetivo de se preparar para as responsabilidades e deveres envolvidos na execução de seu próprio estúdio.
Procure por aulas desta temática em colégios comunitários em sua região. Preste muita atenção às aulas de finanças para negócios. Busque lições e casos práticos de empreendedorismo, aulas de marketing e qualquer outra disciplina que possa tratar a temática das pequenas empresas.



4   Refine suas habilidades por conta própria. A formação profissional pode ajudar, mas se você quer se tornar um (a) excelente alfaiate, nada lhe impedirá de praticar em casa, no seu tempo livre. Se você estiver pensando em ser independente, a auto formação pode até ser suficiente para você começar seu próprio negócio.
Você pode buscar boas leituras em uma loja de livros e de manuais que possam ensinar novas técnicas de costura, ou mesmo obter mais informações sobre diferentes tipos de tecido, design de moda, e outros temas relacionados.
Você também pode olhar demonstrações em vídeo, na internet, para aprender sobre as diferentes técnicas de costura, muitas vezes ensinadas passo-a-passo e bastante acessíveis.

Método 2 de 3: Experiência



1  Trabalhe como aprendiz. Uma das melhores coisas que você pode fazer - ao se formar como alfaiate profissional - é tirar proveito de um aprendizado com um alfaiate que já esteja estabelecido no negócio há muito mais tempo que você. Tal aprendizado irá treiná-lo(a) nas habilidades primordiais do negócio, além da experiência que vai figurar em seu currículo.
Você pode ser capaz de encontrar um programa de estágio em alfaiataria em sua região, portanto, faça sua pesquisa. Escolha um programa de horas condizente com suas condições de tempo e interesse.
O(a) alfaiate aprendiz lidará com tarefas simples relacionadas à costura, emenda e alteração de roupas. Tudo isto sempre supervisionado (a) pelo seu mentor ou mentora, claro. Caso você demonstre mais habilidade e compreensão do ofício, podem lhe ser direcionadas tarefas mais complexas.

2   Opte por uma formação informal, se necessário for. Algumas vezes estágios específicos podem ser difíceis de encontrar. Por isso, você também pode obter um pouco de treinamento e experiência simplesmente trabalhando informalmente ou eventualmente com um alfaiate, ou em uma loja de concertos de roupas, fazendo tarefas que não estejam diretamente relacionadas com o trabalho de alfaiataria.
Mesmo que você não trabalhe com habilidades estritamente relacionadas com o ofício do alfaiate, você pode tomar dicas e informações de seu mentor ou interessado. Atender telefones, marcar compromissos, dentre outras tarefas operacionais, vão com toda certeza fazer com que você ganhe algum conhecimento acerca de qual é a atmosfera deste campo de negócio.

3   Pratique trabalhando em lojas de varejo. Trabalhe com o público, praticando a arte de vender e atender clientes. Isto será benéfico para você em longo prazo. Além disso, ter experiência de trabalho em varejo realmente pode ficar bem em seu currículo, se você decidir se candidatar a um emprego como um alfaiate profissional ou mesmo em uma grande empresa de moda.
Você precisa desenvolver habilidades de comunicação e conhecimentos interpessoais para que os clientes se sintam confortáveis com você, ao tomar medidas e discutir as melhores maneiras de se melhorar suas vestes.
Saiba que um emprego no varejo vai lhe dar alguma experiência em trabalhar com o público, mas alguns postos de trabalho podem se demonstrar melhores do que outros. Afinal de contas seu interesse é pela alfaiataria, não é mesmo? Procure então por postos correlatos. Postos de trabalho em tempo parcial em lojas de departamento, lojas de roupas, lojas de calçados e lojas especializadas em acessórios são preferíveis a um estágio numa franquia de fast food ou restaurante de shopping. Você deve se acostumar, portanto, com o ambiente de varejo do universo da moda ao invés de qualquer outro ambiente de varejo genérico. Empregos em pet shops, lojas de conveniência e supermercados, portanto, também não são boas ideias.



5   Domine as ferramentas do ofício. Não importa como você optou por receber sua formação e experiência de trabalho: antes de iniciar sua carreira como um (a) alfaiate, você deve se certificar de que possui bastante experiência com as ferramentas atuais utilizadas nesse tipo de trabalho.
Você deve ser proficiente no uso de uma fita métrica de pano, bem como no emprego de outros instrumentos de medição. A fita métrica é normalmente utilizada para tomar as medidas do corpo, para o espaçamento de botões e demais medidas de comprimento. Réguas e a “curva francesa” podem ajudar a trabalhar com linhas de costura em diversos ângulos.
Você também precisa trabalhar com máquinas de costura em nível profissional e overloques. Aprender a operar os diferentes tipos de máquinas, diferentes tipos de agulhas, e diferentes tipos de linhas também.
Use toda variedade de ferramentas de corte à disposição, incluindo a tesoura de costura e lâminas rotativas. Saiba quando usar cada uma e para que finalidade.

Método 3 de 3: Encontrando Trabalho
1  Decida se você pretende trabalhar para si mesmo ou para outra pessoa (ou empresa). Há prós e contras em ambas as opções, é claro, assim, você deve revê-los antes de tomar sua decisão. Prepare-se para ambos os caminhos e dê à sua carreira mais versatilidade. Se quiser, concentre seus esforços no caminho que você deseja.
Trabalhar para alguém limita a quantidade de responsabilidade e preocupação que você precisa ter sobre a gestão ou marketing da empresa. A desvantagem, no entanto, é que você terá menos liberdade sobre o trabalho desempenhado e não vai colher todos os ganhos de seu trabalho (pois seu chefe ou sua chefe precisará pagar os custos do empreendimento).
Por outra via, se você trabalhar por conta própria você terá que gastar tempo em marketing e tarefas administrativas: muito porém, você terá o próprio horário e demais condições, além de também poder manter todo o lucro da empresa.
Estima-se que 44 por cento dos alfaiates são autônomos, enquanto 26 por cento são empregados no pequeno comércio. Os 30 por cento restantes trabalham para outros serviços e grandes indústrias.

2   Encontre trabalho com um alfaiate profissional. Alfaiates profissionais são muitas vezes contratados por lojas de departamento, boutiques de noivas e fabricantes que precisam de alguém para fazer alterações nas peças.
Se você pretende trabalhar para alguém, procure por vagas de emprego na indústria têxtil e de confecções, lojas de departamento e tinturarias. Qualquer loja ou fabricante que trabalhe na indústria da moda e indumentária pode ser uma possibilidade. Você também pode verificar com alfaiatarias existentes para ver se eles precisam de alguma ajuda adicional.

3  Comece o seu próprio negócio. Iniciar seu próprio negócio como um (a) alfaiate pode ser uma tarefa difícil, mas isso pode dar-lhe mais controle sobre o trabalho. Ademais, tendo tudo que é preciso você pode começar imediatamente, sem a necessidade de ser avaliado (a) ou entrevistado (a) por potenciais empregadores.
Veja os requisitos legais e financeiros para iniciar o seu próprio negócio. Certifique-se de que a sua empresa seja registrada e que ela pague devidamente seus impostos.



4   Desenvolva um portfolio. Seu portfólio - ou álbum de trabalhos - deve incluir fotografias e amostras relacionados ao seu ofício na alfaiataria - o trabalho que você tem feito, incluindo suas concepções em alterações de peças e design. Um bom portfólio pode ser um recurso valioso quando você se candidatar a algum emprego ou encontrar potenciais clientes.
Você deve incluir fotografias de roupas que você alterou, bom como peças projetadas por você. Inclua também quaisquer esboços de projeto que você tenha.
Tente incluir amostras de uma variedade de estilos, do casual ao formal, para homens e para mulheres. Isto demonstrará a beleza e a versatilidade de seu trabalho.

5  Junte-se a uma organização profissional. As organizações profissionais, normalmente vinculadas aos sindicatos, podem lhe proporcionar apoio e recursos educacionais adicionais. Isso pode beneficiar você, não importando qual carreira você tomar, mas é especialmente útil se você decidir entrar no negócio por si mesmo, autonomamente.
Pesquise na internet algumas organizações profissionais que valem a pena conferir em sua região.
As organizações profissionais podem ser um meio mais fácil para os indivíduos ingressarem em cursos de educação continuada. Elas também podem fornecer aos alfaiates oportunidades de participarem em redes de contatos e de empregos.
6   Atraia clientes. A menos que você trabalhe para uma loja de departamentos que só permita que você faça trabalho para os clientes dela, saber como atrair seus próprios consumidores é uma parte importante do processo de deslanchar na carreira.
Faça uso de anúncios de jornal e anúncios digitais, como contas de mídia social e sites de negócios. Além disso, você nunca deve subestimar o poder do "boca a boca" e das propagandas.

7   Saiba pelo que esperar. Se você tem paixão e talento necessários para este trabalho, ele pode ser muito gratificante, mas, no entanto, saiba que este campo tem relativamente baixo crescimento de emprego. Você não deve esperar se tornar muito rico (a) fazendo isso.
Um alfaiate pode receber menos do que a média de salário de profissionais de formação superior.
Em 2010, os EUA coletaram uma estimativa de cerca de 57.500 postos de trabalho de alfaiataria.
As mesmas pesquisas antecipam apenas o crescimento de 1 por cento em oportunidades de emprego para alfaiates de 2010 a 2020.
Aspectos que afetam a falta de demanda por alfaiates incluem o fato de que a maioria das roupas é agora produzida a baixo custo em outros países (e em grande escala). Ademais, a demanda por roupas personalizadas continua a diminuir.

Criado por Ppaiva
Revisões wikiHow

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Ensino


Após alguns anos de estagnação no ensino da Alfaiataria, surgiu a oportunidade de darmos um curso prático de ponto e prova de alfaiate a convite da Escola de Moda do Porto (GUDI). Com esta iniciativa pretendemos não só formar jovens e profissionais da área de moda, em manualidades quase extintas no nosso pais, como também dar nova vida ao trabalho por medida, através do ensino da arte que celebramos todos os dias. Nesta apresentação fica o convite a que se juntem a nós, num movimento ao qual daremos certamente nova dimensão tanto em Portugal como no exterior. As inscrições já estão abertas e terá inicio dia 5 de Novembro de 2011. O custo mensal é de €150 com a duração de 6 meses. Para inscrições e mais informações podem contactar das seguintes formas:
. Ayres Gonçalo - +351 914 471 671
. Paulo Rodrigues - +351 916 774 287
. labdisartoria@gmail.com


sexta-feira, 20 de maio de 2011

UM GUARDA-ROUPA FEITO À MÃO GUARDADO NO BAÚ DA MEMÓRIA

São idos os tempos que em Portugal, nem sempre pelas melhores razões, mas sempre com o melhor dos resultados que com apenas necessidade e engenho se manufacturava em contexto doméstico todo o vestuário do homem e da mulher portugueses. A reutilização e a transformação quase mágica de peças de vestuário em outras vestes, acessórios de roupa e elementos de decoração do lar, dá-nos uma larga experiência na arte de produção de roupa e afins, com as mais variadas técnicas de construção e materiais utilizados.
A manufactura de peças de vestuário demarca-se do contexto doméstico quanto mais exigente for o corte ou
manuseamento dos materiais. Sobretudo a roupa masculina carece em muitas situações de um mestre capaz
de talhar à medida as muitas indumentárias que enchem o guarda-roupa do homem português de novecentos. O fato e as sobrevestes de um modo geral obrigam a um grande apuramento do corte de acordo com o corpo a vestir (estima-se que um fato leve 35000 pontos manuais) (1), assim como algum trajes regionais obrigam a um grande esforço no manuseamento dos materiais, como parece ser o caso da Capa d‘Honras de Miranda do Douro, uma veste de agasalho que, por levar tanto pano para a sua confecção, defende-se a ideia que será mais fácil aos alfaiates o seu manuseamento, por serem homens, usando técnicas, métodos e utensílios próprios.
Para melhor responder a estas exigências e apurar o desenho das muitas indumentárias que preenchem o guarda-roupa masculino do séc. XX, é necessário facilitar os meios de transmissão de conhecimentos da arte, através de estruturas de ensino que possam dar a conhecer os métodos e técnicas específicas da alfaiataria usadas no país e no estrangeiro.

Alfaiataria em Portugal
Escolas de corte de vestuário masculino do século vinte

Se à alfaiataria diz respeito a manufactura de roupa masculina, isto não significa que seja toda a roupa masculina. Longe das grandes cidades, um alfaiate bastava para dar conta das encomendas de fatos dos homens de várias freguesias. Os trabalhadores rurais usavam raramente fato, alguns, os menos pobres, usavam o fato em situações muito formais como a ida às sortes ou as cerimónias sacramentais. As roupas do dia-a-dia destes trabalhadores eram manufacturadas desde as camisas e toda a roupa interior até às vestes de fora, calças, sobretudo, pelas mulheres da casa. Mais, as meias coloridas, feitas à mão com quatro ou cinco agulhas e outros atavios ou acessórios indispensáveis para levar o dia como o saquinho das moedas, do relógio ou do farnel, e o lenço de mão eram laborados pelas mulheres da casa.
Na maioria dos casos, porque o ofício de alfaiate garantia um emprego “debaixo de telha”, as famílias colocavam o filho mais novo em oficinas de alfaiates, as crianças eram assim iniciadas na arte ainda antes dos dez anos de idade. Ao serviço dos mestres desempenhavam a função de chegamiço (2) e permaneciam na oficina quase uma década até terem a responsabilidade de cortar e exercerem a função de contra-mestres.
Muitos alfaiates do interior do país faziam serviço ao domicílio, deslocavam-se a casa dos senhores para tirar as medidas e fazer provas, passando lá o dia de trabalho em troca de dinheiro e comida. O ensino de manufactura de roupa masculina no séc. XX era ministrado inicialmente pelos sindicatos dos profissionais de alfaiates de Lisboa e Porto. Mas foi na década de trinta que se implementaram, nestas duas cidades, os organismos mais relevantes de ensino da arte de alfaiataria do país: A Academia de Corte Sistema Maguidal e a Academia Nacional de Corte, em Lisboa, e o Instituto Superior de Corte, no Porto. A Academia de Corte Sistema Maguidal, fundada em 1934 por Manuel Guilherme de Almeida, sobressai-se pelo método inovador de corte que implementou no ensino e para o qual editou um manual de corte designado Método de Corte Sistema Maguidal, que resultou de um método desenvolvido pelo mestre Maia (Augusto da Silva Paulet Maia), professor da arte na antiga Associação Fraternal da Classe dos Operários de Lisboa até 1917. O método consistia em obter as principais fracções proporcionais na intersecção e triangulação do quadrado formado pela medida de peito, o que tornava os traçados mais simples que os estrangeiros. Manuel Guilherme de Almeida sustentou o estudo com a elaboração de uma base geométrica a que chamou “Sistema Maguidal”, usando as primeiras letras dos seus nomes, a partir da qual se encontrou seis fracções da medida de peito e a adaptou a todas as peças de vestuário que integram o manual.
 A Academia Maguidal editou durante 35 anos a Revista Vestir, uma revista de técnica e Moda para alfaiates, tendo sido cedida a patente em 1987 ao CIVEC – Centro de Formação Profissional da Indústria de Vestuário e Confecção.
A Academia Nacional de Corte, em Lisboa, foi fundada por António Mendes Baptista, também fundador e proprietário de um outro periódico da área, a Revista Técnica de alfaiataria, com artigos especializados na arte da alfaiataria, com métodos e traçados de corte de roupa masculina.
O Instituto Superior de Corte foi fundado em 1939, por João Lázaro, no Porto, que aí ensinou o ofício de cortar roupa por medida com base numa forma de cálculo das proporções assente no princípio geométrico, que facilitava a obtenção da medida da cava. Desde sempre interessado no apuramento de um aparelho de medição que ajude na obtenção do desenho da cava em função da medida do indivíduo inventou alguns aparelhos de medição, como a couraça antropométrica, que por ser um instrumento caro o obrigou a pensar num outro, o cavímetro. Ainda a este propósito faz referência no seu tratado à graduantropometria, um sistema de medição desta vez da autoria de Henrique A. Garcia alfaiate de Tomar.
Os cursos ministrados nas escolas de corte tinham a duração variável, dependendo do grau de especialização ou dos cursos, havendo mesmo cursos por correspondência, para os alfaiates do interior do país. Mas todos abordavam disciplinas como, a matemática, a antropometria, a geometria e a planimetria, a miologia e a osteologia a anatomia e a fisiologia.
A alfaiataria, que é durante os três primeiros quartéis do séc. XX um ofício de grande reconhecimento, decai até quase à extinção de grande parte das peças de vestuário que aqui se mencionam, restando a confecção de fatos, essencialmente, sobretudos, trajo professoral e trajo magistral.
As escolas de corte de roupa masculina fecham por falta de procura de clientes nas alfaiatarias, mas também por falta de alunos que queiram aprender o ofício.
Se o ofício de alfaiate é, nos dias de hoje, uma prática quase extinta, como se sabe, é maior o risco de extinção nas regiões do interior do país e no Alentejo. São aí muitos os ex-alfaiates que recordam com saudade a época em que eram procurados para talharem à feição. E são alguns os que, para matar saudades do antigo ofício, se dedicam à construção de miniaturas de peças de vestuário, iguais às que antes confeccionavam à escala humana.
De forma a e perpetuar a memória de uma prática (quase) extinta, bem como das suas técnicas e instrumentos, a autora e coordenadora do projecto Diana Regal, pela Colecção B, Associação Cultural, com a parceria financeira da ANIVEC/APIV e com a parceria científica do Museu Nacional do Traje, encontra-se em trabalho de concretização de A tesoura de Emmanuel Kant – Indumentárias da alfaiataria portuguesa.
A tesoura de Emmanuel Kant – Indumentárias da alfaiataria portuguesa propõe-se como projecto de investigação de campo centrado na alfaiataria, como método artesanal de produção de roupa masculina por medida, do século vinte, dos grandes centros urbanos do país, Lisboa e Porto, e das regiões rurais, como o Alentejo, o Ribatejo e a Serra da Estrela.
O projecto traduz-se na edição de um livro sobre a alfaiataria em Portugal, homenageando a arte e os seus mestres com identificação das peças de vestuário de alfaiate, usadas nos três primeiros quartéis do século XX, e numa exposição de 35 indumentárias a 1/3 da escala humana, que melhor representam o guarda-roupa do homem português desta época, com realização prevista para Outubro do presente ano. A exposição conta com a consultoria técnica do mestre alfaiate Armindo Bártolo e com o alfaiate João Virgílio, para a realização das indumentárias em miniatura.Conta ainda com participações escritas no livro de vários investigadores da área e com a colaboração de inúmeros alfaiates.
O projecto teve já uma mostra de traje masculino do Alentejo, que reuniu 18 indumentárias em miniatura de trajo masculino das regiões do Alentejo e Ribatejo, realizadas pelo alfaiate alentejano João Virgílio.
A exposição esteve patente ao público de 6 a 30 de Maio, na sede da Fundação Alentejo-Terra Mãe,
em Évora.Um projecto Colecção B, em parceria com a ANIVEC/APIV e o Museu Nacional do Traje.

(1) - Armindo Bártolo, mestre alfaiate de Lisboa.
(2) - Termo usado para designar o aprendiz que se inicia na arte com a função de
chegar os utensílios ao mestre, sob a ordem: chega-me isso! 




Revista Vestir nº 62
CIVEC

domingo, 25 de novembro de 2007

O alfaiate que veste gente importante


Fernando herdou do pai o talento de alfaiate.
As suas mãos já vestiram desde Marcelo Rebelo de Sousa
à rainha Sofia de Espanha

Com um naco de giz branco seguro firmemente entre os dedos da mão, Fernando Almeida desliza sobre a mesa para desenhar um traço aqui, outro ali, no metro e meio de tecido preto. Num abrir e fechar de olhos, um traje de solicitador começa a ganhar forma. Raras são as vezes que o alfaiate se socorre da precisão da fita métrica.
Completa este ano 82 primaveras, 70 das quais a manusear tecidos, a marcá-los e cortá-los. Aprendeu a técnica com o pai, Manuel Guilherme de Almeida, Mestre Alfaiate, responsável pela abertura, em 1934, da primeira escola de alfaiates em Portugal, ainda hoje de portas abertas, para quem faça gosto em aprender esta arte.
A passagem do tempo vincou-lhe a pele, gastou-lhe a corda às palavras, mas a memória mantém-se fresca como uma alface. Ainda que a passo de caracol, Fernando reparte agora a sua atenção entre traçados e o relato de infindáveis lembranças de seu pai. Dava pelo nome de Manuel Guilherme de Almeida e os primeiros passos em alfaiataria foram precoces: tinha onze anos.
Proveniente de uma família pobre, foi obrigado a procurar trabalho para ajudar a levar o pão à mesa da família. Certo dia, em mais uma busca desenfreada pelos classificados do ‘Diário de Notícias’, os seus olhos cruzaram-se com um anúncio onde eram solicitados os serviços de um aprendiz de alfaiate.
Nunca antes as suas mãos tinham sentido a textura de uma agulha ou de uma linha de costura. Nem se conheciam histórias de alfaiates na família. Mas o talento do rapaz entupia-lhe as veias. Não tardou em dar nas vistas, chegando rapidamente às mais exigentes alfaiatarias da época. Mais tarde, é ele próprio quem se aventura no ensino, passando a centenas de aprendizes a pasta de conhecimentos e experiências adquiridos ao longo dos anos.
O ensino traz-lhe novo fôlego e Manuel Guilherme de Almeida debruça-se mais uma vez sobre os livros para estudar a fundo técnicas de corte, tanto em vestuário de dia-a-dia como de cerimónia, desportiva, regional e militar. A embriaguez de informação levou-o a deparar-se com deficientes traçados de métodos de corte. Para fazer frente à lacuna, puxa pela cabeça, põe mãos à obra e cria um sistema próprio denominado Maguidal.
“Ma” de Manuel, “Gui” de Guilherme, “Dal” de Almeida. Trata-se de um método proporcional que apresenta as fracções relativas a cada medida de peito, destinadas aos traçados do corte, dispensando as antigas réguas de escala, tabelas ou cálculos aritméticos. “Encontramos 1/3, 1/6 ou 1/12 de escala através de duas linhas oblíquas do rectângulo da cava.
Fracções que podem ser verificadas através do ensaio dos vários tamanhos convencionais”, esforça-se Fernando por explicar, com noção de que para quem está de fora, a compreensão do sistema não é pêra doce. “A Geometria Descritiva também me deu muitas dores de cabeça. Comecei com 6, depois tive 9, mas cheguei aos 17”, revela em solidariedade.
Seja lá de que forma se chega ao método, o que é certo é que com a inovadora técnica, o nome de Manuel Guilherme de Almeida foi aplaudido e atravessou fronteiras. Patenteado com o número 27800, encontra-se descrito no livro Método de Corte Maguidal, com edições em 1948 e 1962.
Foi igualmente sob as iniciais do nome do prestigiado alfaiate que ficou baptizada a primeira escola de alfaiates portuguesa, da qual foi fundador: Academia de Corte Maguidal. Nasceu há 72 anos num típico prédio lisboeta, na Rua da Palma, Almirante Reis e, em pouco tempo, tornou-se um requisito obrigatório para quem quisesse vingar no mundo do corte e costura.
“Aos mestres e contramestres das antigas Oficinas Gerais de Fardamento do Exército era-lhes exigido um diploma da escola”, realça Fernando. O seu pai leccionou quase até ao último dos seus dias, em 1992. Dez anos antes, foi instituído em Portugal o Dia do Alfaiate, em sua homenagem.
Deste lado, Manuel deixou três filhos já crescidos. Todos com percursos de vida bem distintos. Arnaldo formou-se pintor, Guilherme é físico, e Fernando, escultor, professor de Belas Artes e o único que sempre se interessou por aquilo que o pai fazia. “Acho que também nasci para isto”, sussurra, sem meias palavras.
Desde os doze anos que Fernando começou a frequentar assiduamente a Academia do pai. Perdia a conta às horas quando o via ensinar a arte de bem cortar e, a pouco e pouco, foi entrando no esquema. Mais tarde, a sua formação como escultor acabou por lhe ser útil no mister de alfaiate. No entanto, foi preciso o pai encontrar-se em idade avançada para Fernando se dedicar a tempo inteiro à Academia. Antes, conciliava a ocupação com as aulas na Escola António Arroio.
Hoje, o extenso trabalho nascido das suas mãos e do seu progenitor, enchem dossiers coloridos, onde a cada página se vêem esboços, desenhos e recortes de jornais e revistas. As capas plastificadas tentam preservar memórias que enchem Fernando de orgulho. Página a página vê-se ora Marcelo Rebelo de Sousa, ora Alberto João Jardim, ambos com vestes assinadas por Manuel Guilherme de Almeida. Mais à frente, o repertório alarga-se à escala internacional.
Foi na Academia de Corte Maguidal que nasceram os modelos dos trajes académicos de todas as universidades públicas e privadas de Lisboa. A fama atraiu, no entanto, encomendas do resto do País e do estrangeiro.
Um dos recortes de jornal tem impressa uma pintura clássica do casamento de D. Manuel I. Entre os convidados, um homem de identidade desconhecida enverga uma boina que serviu de fonte de inspiração para o traje da Universidade de Évora, a mesma com que a rainha Sofia de Espanha vestiu a sua cabeça aquando da vinda a Portugal para ser agraciada com o grau de doutora Honoris Causa.
Fernando não esquece esse momento de glória. Desapontou-o apenas o facto de não ter confraternizado pessoalmente com Sua Majestade. “Não lhe tirei as medidas!”, atira, com ar malandreco. Para a mesma causa, foi responsável pela farpela de Mikhail Gorbatchov na Universidade Moderna, em 1995. Também não esteve frente a frente com o Nobel da Paz, mas desta vez tanto lhe fez.
Aqui também são executadas togas, becas, batinas que vestem juízes, advogados e doutorados. Tudo feito com os melhores tecidos nacionais, ‘terylene’, cetim de algodão e seda. Mas enquanto as fardas saem quase à velocidade de fábrica das mãos de Fernando, o mesmo não se pode dizer do número de alfaiates. São cada vez menos os que procuram formar-se nesta arte.
Os últimos alunos vieram das oficinas da GNR e, mais recentemente, dos armazéns El Corte Inglés, quando inaugurado no seio da capital portuguesa, em 2001. “Deixou de haver aprendizes, não só na alfaiataria como em todas as artes. É o fim das profissões de produção manual”, revela, entristecido.
Mas como o dia da extinção ainda não chegou há que erguer a cabeça e continuar a produzir. Com 82 anos, Fernando cumpre religiosamente o horário das 9 às 18. E vê-se que o faz com prazer.


Janete Frazão
IN Correio da Manhã

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Manuel Guilherme de Almeida

Mestre alfaiate português, nasceu em 1898 e faleceu em 1992. Foi criado em sua honra o "Dia do Alfaiate" no último domingo de Maio. Foi professor de corte, tendo desenvolvido um método próprio, explorado no livro Método de Corte Sistema Maguidal (1948), que escreveu para alfaiates. Além disso, publicou até 1951 o álbum de figurinos Moda Actual e, até 1985, a revista de técnica e moda Vestir. Ocupou os mais elevados cargos na Associação Fraternal da Classe dos Alfaiates de Lisboa e fundou a Academia de Corte, por onde passaram mais de 4 000 alfaiates, e as Casas de Repouso do Alfaiate de Portugal. Foi agraciado com a Comenda da Ordem de Mérito Industrial pelo presidente da República Mário Soares. Participou em vários congressos internacionais de Alfaiataria, sendo agraciado com a medalha de prata por altos serviços em Roma, no ano de 1983. Trabalhou até 1989.

In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2007.