quinta-feira, 8 de maio de 2014

XXV CONGRESSO NACIONAL DE MESTRES ALFAIATES


Caros colegas,


É com a maior satisfação que organizo o XXV encontro nacional de profissionais da nossa arte.

Tomei a decisão de reunir os meus ilustres colegas na mui nobre, sempre leal e invicta cidade do Porto já no próximo dia 1 de Junho de 2014. É do meu conhecimento que, por norma, o encontro se realiza no último Domingo do mês de Maio, mas devido ao facto de este ano o último Domingo coincidir com as eleições europeias, tomei a liberdade de alterar para o fim de semana seguinte. Espero que esta decisão não cause algum transtorno aos meus estimados colegas.

O ponto de encontro será às 9h15 na Igreja de S. Nicolau, que se situa na rua do Infante D. Henrique. ( Junto á Ribeira ).
Programação do evento:
9h15 – Missa – Igreja de S. Nicolau
10h15 – Surpresa
12h00 – Surpresa
13h00 – Almoço e convívio no restaurante Pênsil (junto ao tabuleiro inferior da ponte Luiz I na margem do Porto).


Alerto aos interessados o favor de confirmarem a sua presença e efectuarem a transferência até ao dia 26 do corrente mês. (não esquecer mencionar nome da pessoa no acto da transacção).
Convencido que todo o meu esforço será do vosso agrado,
Um abraço.

Para mais informações, dúvidas ou esclarecimentos não hesite em contactar-me através do 914 471 671.

Ayres Bespoke Tailor



E, então foi assim:

Local de reunião




Memória de antigos colegas




Passeios






Convívio






No próximo ano ver-nos-emos em Figueiró dos Vinhos, durante o XXVI Encontro Nacional de Mestres Alfaiates.

Até lá.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Os barões do corta e cose


É um ofício em vias de extinção, um luxo ao alcance de poucos e uma arte que muitos tentam dominar. Uma coisa é certa: alfaiate é quem faz um fato, mas no mundo da moda masculina por medida, a tradição é cada vez menos aquilo que era.
Quais resistentes do corte e da modelagem, contam-se pelos dedos das mãos os mestres alfaiates que ainda hoje vestem a preceito os seus clientes. Chegaram em força numa época em que o pronto-a-vestir era a excepção, para fazer do assentar impecável de um casaco nos ombros uma das regras mais sagradas entre cavalheiros. Apagados do quotidiano da maioria, e com pouco a dizer sobre moda e tendências em pleno século XXI, os alfaiates guardam uma arte em vias de extinção que está ao alcance de poucos e, regra geral, à distância de um lance de escadas e de uma campainha. Pelo menos, este é o trajecto que qualquer velho cliente da Alfaiataria Piccadilly consegue fazer de olhos fechados. Durante décadas, foi casa de primeira linha no comércio elitista do Chiado até que, a oito anos do centenário (em 2012), João Ribeiro tomou conta do negócio, abdicou da vitrine e recolheu ao atelier, onde actualmente é o mestre de serviço.
“Para se ser um alfaiate acima da média, é preciso ter bom gosto, sensibilidade e jeito. Ainda hoje faço tudo de forma artesanal, coso à mão e dou pontos como aprendi há 50 e tal anos”, conta, aos 64. Com 11 foi apresentado às tesouras, veio para Lisboa pouco tempo depois e ainda estava nos trintas quando o nome João Ribeiro já era bem conhecido pelas alfaiatarias da Baixa e pela clientela da altura. Hoje, reconhece que além de gosto, da sensibilidade e do jeito, saber lidar com os clientes faz parte do segredo para o sucesso, sucesso esse que começa em proporcionar-lhes exclusividade e discrição. “Normalmente, atendo por marcação, sobretudo pessoas mais conhecidas que não gostam de estar a escolher com outras a ver. No caso dos políticos, é habitual pedirem para vir ao sábado à tarde, às vezes ao domingo de manhã, quando têm a certeza que não vai estar mais ninguém”, conta.
De secretários de estado e outros membros do actual governo a diplomatas, que em tempos passaram pelo país, mas que continuam a voltar sempre que precisam de um fato novo, esta carteira de clientes tem tanto de abastada como de exigente. Os advogados continuam a representar a maior fatia, embora nem só de fatos se faça o trabalho deste alfaiate. Na lista de desafios de João Ribeiro estão também sobretudos (alguns também para senhoras) e gabardines, uma dor de cabeça para quem não quer falhar um ponto.
Não há dinheiro que pague a tradição


Se, para alguns, uma ida ao alfaiate é uma extravagância cometida uma vez na vida, outros parecem estar predestinados a provar fatos feitos de raiz. Que o diga Joaquim Barbosa, prestes a comemorar 50 anos à frente do seu próprio atelier. Já tirou as medidas a pais, filhos e netos mas, actualmente, o difícil é aceitar novos clientes. Cada fato chega a exigir 70 horas de trabalho, daí que as encomendas da clientela mais fiel já lhe dêem pano para mangas. “O rico é sempre rico e, além disso, há pessoas que, em vez de mandarem fazer dez fatos, agora mandam fazer só um. Mas os clientes não se queixam, nós é que já não damos vazão”, afirma o mestre de alfaiataria, já septuagenário, denunciando uma espécie de crise de sucessão com que todos os alfaiates se deparam.
Mauro Gonçalves
Público
life&stylemoda


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O mais jovem alfaiate de Bragança tem 60 anos

Tem 60 anos o mais jovem alfaiate de Bragança, no que explica a razão de ser uma das profissões ameaçadas de extinção. António Francisco é, no entanto, um caso de sucesso de quem soube direcionar a clientela para se manter no mercado.



RTP1Patrícia Lopes/ Nuno Miguel Fernandes02 Nov, 2013

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Meu nome é Tony Miranda

Como um aprendiz de alfaiate das Beiras fez a diferença em Paris. E hoje não desiste de talhar fatos de alta costura em Portugal.



Desafia-se o mais empedernido dos citadinos a concentrar-se nalguma outra coisa quando há melros por perto a debicarem nos frutos de uma enorme amoreira de um jardim em Lisboa. Não sabemos se existiam árvores destas em Torrados no tempo em que António Miranda ali cresceu, último de cinco irmãos, filho de uma costureira e de um sapateiro que era bom a fazer botas. Mas melros havia com certeza na pequena aldeia beirã do concelho de Felgueiras, e se calhar tantos quantos os habitantes, recorda ele que nem duzentos nos anos cinquenta.
Quando não estava entretido a ver a mãe a coser, quando não se sentava nos seus joelhos enquanto ela se punha a fazer quilómetros na máquina de costura, António gostava de andar pelos campos. Hoje diz que a "obsessão pelos trapos" vem desde que nasceu mas foi preciso o padre da aldeia instalar um televisor no salão paroquial para acontecer a grande epifania da sua vida. Era a primeira vez que via televisão e logo nessa primeira vez havia de passar um desfile do francês Christian Dior. Chegou a casa e a mãe ouviu-lhe: "Tenho de ir a Paris para fazer aquilo que vi hoje."
Tinha quase 14 anos e sabia umas coisas de costura. Desde os 12 que trabalhava noites e fins de semana num alfaiate da terra e já fizera o seu primeiro fato completo para um noivo. Saiu a salto perto de Chaves como se usava na altura, com dinheiro emprestado pelo antigo patrão e por dois dos irmãos mais velhos. Fê-lo às escondidas porque o pai estava contra - queria-o sapateiro como ele e não era homem de aventuras.
Quase cinquenta anos depois é aos campos que António volta sempre que cria uma nova coleção de alta costura. Quando põe nos chariots os vestidos ("Todos vestíveis") que vai apresentar no próximo dia 26, no Hotel Ritz, em Lisboa, vê um jardim onde acaba por colocar alguma flor, nem que seja bordada. Só escapam os fatos smoking, uma linha que o acompanha sempre porque a sua formação principal foram os fatos de homem.
Tudo à mão
Se estiver bom tempo o desfile L'Art de la perfection será no jardim do hotel e terminará ao som de La vie en rose, cantada por Gilbert Bécaud. António vestiu-o muitas vezes quando trabalhou em Paris com o criador Ted Lapidus, entre as décadas de sessenta e setenta. A lista de famosos seria imensa porque ia lá quase toda a Paris, mais uns chefes de Estado africanos e muita realeza das Arábias. António tem os nomes dos clientes bem presentes, de alguns até recorda as medidas, exigências, pequenas manias.
Vinte e cinco anos depois de regressar a Portugal são alguns desses clientes que mantêm a laborar o seu ateliê em Guimarães.


 Texto: Rosa Ruela
  Foto: Luís Barra