sábado, 4 de junho de 2016

O último alfaiate

O último alfaiate em atividade no concelho de Vila Nova de Paiva continua a fazer fatos à medida. Eduardo Fernandes conta com setenta anos de idade e na sua alfaiataria, em Vila Cova à Coelheira, vai fazendo o corte e costura dos fatos por encomenda. “Uma atividade que já teve melhores dias” mas que, segundo este alfaiate da terceira geração, pode continuar ainda que em moldes diferentes. Para que um jovem possa abraçar esta profissão teria que investir bastante em maquinaria adequada à arte.
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                                            Eduardo Fernandes exerce a profissão em Vila Cova à Coelheira

“Hoje em dia a atividade desenvolve-se com a ajuda de máquinas muito caras neste segmento” o que, segundo Eduardo Fernandes, constitui a maior dificuldade para os iniciantes. A arte começou com o avô no Brasil que chegou a fazer fatos para figuras conhecidas da cena política carioca. Segundo consta, o primeiro alfaiate da geração “tirou mesmo as medidas ao Presidente do Brasil Getúlio Vargas”.
Em Portugal foi com o tio que Eduardo Fernandes aprendeu a profissão que desenvolve em Vila Cova à Coelheira. Membros de bandas filarmónicas, ranchos folclóricos e GNR são clientes habituais na alfaiataria onde “entra toda a gente e de muito lado, do doutor ao lavrador”, sublinha. Em atividade desde os quinze anos, Eduardo Fernandes já vestiu muita gente.
Hoje ainda consegue fazer dois fatos por dia, “mas houve tempos em que na diária se penduravam quatro a cinco fatos no cabide por encomenda”. Foi a época em que mais pessoas trabalhavam na loja. Atualmente, conta apenas com a ajuda do seu filho Carlos Alberto, que para além da alfaiataria, acumula ainda outra atividade. No entanto, adianta Eduardo Fernandes, “espera ver continuar a pro fissão na quarta geração”. Em média um fato pode custar oitenta euros, consoante a fazenda. Este alfaiate vilacovense vai continuar na arte de vestir “os gordos e baixos, os altos e magros que são na maioria quem procura o corte à medida”.
XXVII Encontro Nacional de Alfaiates
Este fim de semana os alfaiates de Portugal reúnem-se em Vila Cova à Coelheira, para desfrutar de experiências e conviver entre modas e feitios. Trata-se do 27º Encontro Nacional de Mestres Alfaiates. “Esperam- se mais de oitenta pessoas para o encontro nacional”, onde a organização, a cargo do anfitrião Eduardo Fernandes e do seu filho Carlos Alberto, espera ser de convívio e degustação. Os mestres alfaiates vão conviver e provar as famosas bôlas de carne feitas em forno de lenha, numa degustação de corte e prova de boca, num momento de animação e convívio que os organizadores esperam de bom feitio.
               
       online

quinta-feira, 5 de maio de 2016

XXVll Encontro Nacional de Mestres Alfaiates










Organização:
Carlos Saraiva 933427743/ Eduardo Fernandes 932361104
Cidaliamorais2014@hotmail.com
Rua dos Emigrantes, 135
3650-120 VILA COVA À COELHEIRA

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

HÁ QUANTO TEMPO NÃO VAI A UM ALFAIATE?

Alfaiate, um ofício artístico

           Vamos falar de uma profissão em vias de extinção e que pouco  ou nada fez                                                                             para se adaptar aos novos tempos.

Há quanto tempo não vai a um alfaiate? Pergunta curiosa não acha? De certeza que sim, mas então e qual é a resposta? Nunca fui, já não vou há bastante tempo, largos anos que não meto os pés num… Será esta a maioria das respostas dadas àquela simples questão.
Quando falamos de um alfaiate, a nossa mente remete-nos para alguém com alguma idade a fazer o movimento do giz de sabão a deslizar por um pano, deixando uma linha orientadora para guiar pouco tempo depois uma tesoura fria do pouco uso. Vê-se vários desenhos quase de uma arquitectura têxtil com medidas exactas na fazenda aberta sobre uma mesa que dá início a um processo que só será concluído numa peça de roupa que irá ser vestida por alguém a quem o corpo serve à medida e tanto ao gosto como ao feitio. Não é?

Pois bem, e para alguém seguir esta veia artística é necessário o quê?

Antes de mais, vamos centrar-nos no que é um alfaiate. Trata-se de alguém profissional que executa o ofício da alfaiataria. Arte essa que se baseia na criação e/ou reparação de roupas sob medida, gosto e feitio. Ou seja, há uma personalização e preferência adequada a cada caso. Caso deve ler-se pessoa, em bom rigor. Embora estas sejam estas as principais funções deste profissional, há outras como a de estilista e ainda a de figurinista. Mas para ser mesmo profissional nesta arte o que é preciso mais? Claro, lógico saber costurar, juntar, reforçar bem como fazer bons acabamentos nas diversas roupas criadas. Portanto a boa habilidade com as mãos é imprescindível.
Para dar mais crédito ao exercício da profissão é necessário ter um curso superior. O saber não ocupa lugar e aperfeiçoar aquilo que já se sabe é sempre bom. Ainda para mais pode ser um bom local para fazer o chamado networking. E por algum lado tem de se dar início a isto e nada melhor que o ambiente académico. Aliás, deve-se levar em linha de conta que os alfaiates trabalham quase sempre de forma independente. E com o canudo pode-se mais facilmente ter o rótulo de oficial. Depois e dada a independência da profissão, se calhar é bom ter conhecimentos de contabilidade e gestão empresarial. Aqui a dica vai para os cursos e workshops que de certo vão-se tornar benéficos para futuros contratos dentro da moda, que tem como se sabe um mundo muito próprio. Mas o mais importante de tudo é a habilidade. A prática diária aperfeiçoa o método e o gesto, fulcrais para se ser um bom alfaiate. Até porque não é qualquer um que sabe mexer em bons tecidos. Pois é nos alfaiates que se tem estes materiais e não aqueles, na maior parte dos casos, produtos de qualidade duvidosa.
Perdeu-se o hábito de ir ao alfaiate, porquê? Não foi pela crise. Até porque os preços do profissional desta arte tiveram de descer para fazer frente aos prontos a vestir e centros comerciais, bem como outros locais de venda de roupa a preços mais baixos. Naturalmente que o poder de compra, a necessidade do imediato, a concorrência levaram muitos alfaiates a dar por terminada esta profissão artística que está em queda abrupta na nossa sociedade. Porém, há ainda algumas famílias, as mais abastadas, que mantêm a história de oferecer aos mais novos o primeiro fato feito num alfaiate - tradicionalmente para a primeira comunhão, por exemplo.
Mas sem sombra de dúvida que é um ofício em vias de extinção. Um luxo ao alcance de muito poucos, dirão uns. Uma arte que muitos tentam dominar, dirão outros tantos. E você, há quanto tempo não vai a um alfaiate?

Tiago de Abreu
CULTURAblastingnews - Only Independent News



Quem não gosta de costura?


quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Casa de Repouso dos Alfaiates



Junto à Igreja da Tabaqueira
Está uma casa hospitaleira
Dedicada às pessoas idosas;
Nesta nobre Instituição
Há carinho e proteção
E empregadas atenciosas.


71 anos de existência
Dando apoio e assistência
Às pessoas da terceira idade;
Passados setenta e um anos
Estes corações humanos
Agradecem a vossa amizade.


Como a vida é uma passagem
Durante a nossa viagem
Pedimos a Deus proteção;
Esta gente mais idosa
É honesta e generosa
Com um nobre coração.


Alfaiates e costureiras
Usam nas suas carteiras
O seu cartão profissional;
Mas além das confecções
Receberam outras profissões
Da Segurança Nacional.

Os profissionais da costura
Recordam com amor e ternura
A sua nobre profissão;
Nesta modesta mensagem
Presto a minha homenagem
Aos Alfaiates da Nação.


Em Maio mês de Maria
Festeja-se com alegria
Este dia abençoado;
Parabens aos Fundadores
Empregadas e Diretores
Para todos muito obrigado.
           Manuel Costa
                      Alfaiate